Você já viu uma placa de aviso, de propaganda,de instrução e acabou dando muita risada?
É isto que vamos fazer aqui: coletar placas pelo Brasil,com a ajuda de vocês, leitores, que poderão enviá-las
para o meu e-mail. Vamos comentá-las e aprender Português de uma forma divertida.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Possuir e Ter



Os verbos POSSUIR e TER são, muitas vezes, usados inadequadamente, como nessa placa que vimos no mesmo sanatório, já citado em outro post. Ela diz que o CISTOSCÓPIO possui um sistema de lentes. O verbo Possuir significa "ter a posse de algo", o que não é o caso aqui. "Alguém possui um belo carro", "Carolina tem belos olhos verdes", "O cistoscópio tem um sistema de lentes." A diferença é sutil entre os dois verbos, mas é preciso percebê-la para não se equivocar ao escrever.

domingo, 7 de setembro de 2014

Ah! o verbo haver...


Num antigo sanatório desativado, em minha cidade, há uma exposição de equipamentos e paineis explicativos sobre os procedimentos postos em prática, no século passado, com os pacientes ali internados. O que nos interessa nesse post é o último parágrafo do texto no painel de vidro.
"Essa prática cirúrgica não podia ser realizada em todos os tuberculosos, pois haviam condições específicas. As lesões tinham que ser recentes e localizadas no lóbulo superior do pulmão."
O verbo "haver" nessa frase é impessoal, logo não poderia estar no plural. "Condições específicas" não é sujeito do verbo haver, e sim objeto direto.
Há ainda um problema de coesão que pode ser corrigido com dois-pontos. Assim: "Essa prática cirúrgica não podia ser realizada em todos os tuberculosos, pois havia condições específicas: as lesões tinham que ser recentes e localizadas no lóbulo superior do pulmão."
Então vamos gravar: verbo haver, sem sujeito, fica sempre na 3a. pessoa do singular.Assim:
                                                       Há muitos problemas para resolver.
                                                       Havia muitas fotos naquela caixa.
                                                       Houve grandes manifestações no ano passado.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Para quem? para todos...



Em latim, língua que deu origem às línguas românicas ou neolatinas, as palavras tinham declinações e terminações que indicavam sua função na oração: sujeito, objeto direto, objeto indireto, vocativo, etc.
A palavra OMNIS é um pronome indefinido, que significa TODOS. A sua forma para o objeto indireto é OMNIBUS e sua tradução é PARA TODOS. Daí veio o nosso "ônibus", meio de transporte para todos. Não é interessante? O latim, língua morta, não está tão morta assim...E ainda, em inglês, sabemos que "ônibus" é "bus" (ibus era a terminação do ablativo, cuja função era objeto indireto). Vejam como o estudo de Etimologia é fascinante, porque vamos conhecendo a história de cada palavra, as mudanças na forma e nos sentidos, os diferentes usos e como elas chegaram até os dias atuais. 

Você fala "salas comerciais é alugada"?


Mais uma vez, o erro de concordância com voz passiva pronominal... Já falamos sobre isso em outra placa, mas vamos repetir: quando o verbo é transitivo direto (aquele que pergunta "o quê" ou "quem", como por exemplo "Eu comprei...o quê?" "Eu encontrei ...quem?") , na transformação para voz passiva pronominal (com pronome "se), o verbo deve concordar com o sujeito. Então teremos: "Aluga-se sala comercial" que corresponde a "Sala comercial é alugada" ou "Alugam-se salas comerciais" que corresponde a "Salas comerciais são alugadas". No primeiro exemplo, temos sujeito e verbo no singular e no segundo, sujeito e verbo no plural. Fácil, não é?

domingo, 31 de agosto de 2014

Visitando o cemitério...

                                

Visitando o cemitério de minha cidade,deparei-me com essa placa. Muitos podem perguntar: "O que há de errado com ela?" No primeiro momento, nada. Entende-se o aviso. Mas ela poderia ser melhorada, se fosse corrigida a  falta de paralelismo. E o que é paralelismo?  Isso tem a ver com paralelas? Sim, o paralelismo é a maneira mais organizada de estruturar os segmentos de uma frase, de maneira paralela, levando em conta os aspectos sintático, semântico,e rítmico. Vejamos alguns exemplos. No "Eclesiastes", na Bíblia temos os versos:
Há tempo de matar, e tempo de sarar.
Há tempo de chorar,e tempo de sorrir.
Esses versos mostram paralelismo sintático e rítmico.
Um exemplo de falta de paralelismo semântico: "Era um aluno interessado não só em Filosofia,mas também em estudos históricos e literários." Corrigindo: "Era um aluno interessado não só em Filosofia, mas também em História e Literatura."
Voltando à nossa placa, podemos melhorá-la assim: "Solicitamos, por favor, aos clientes e visitantes que não coloquem flores artificiais sobre os jazigos e que não toquem nas orquídeas, caso elas não lhes pertençam." Melhorou, não?

Que exagero!


Essa placa apresenta um número exagerado de erros ortográficos e apresenta também uma contradição que nos leva a crer que os erros foram propositais, talvez para fazer graça e chamar a atenção das pessoas... Sabe-se lá se não é uma estratégia de marketing do proprietário do restaurante...tudo é possível...rs
Mas vamos ao que interessa: é interessante notar que a pessoa, autora da placa, conhece as regras de acentuação, porque acentuou corretamente a palavra "cardápio", paroxítona terminada em ditongo "io". Aí está a contradição: como uma pessoa que acentua corretamente, pode cometer erros tão grosseiros na ortografia? Todas as palavras contêm erros: SALADA, PROMOÇÃO, ARROZ, FEIJÃO, BATATA DOCE, CARNE DE PANELA COZIDA e CALABRESA ACEBOLADA.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Tapioca e Língua


Li muitas opiniões sobre essa imagem. Grande parte delas diz que "não importam os erros, o que importa é a comunicação, que o vendedor não teve oportunidade  de estudar, etc". Não podemos ir aos extremos. Um texto bem escrito é um cartão de visita para qualquer produto. Nossa intenção aqui não é julgar, é apenas registrar os fatos curiosos e comentá-los. A mensagem ficaria correta e agregaria valor ao produto, se fosse escrita assim: "Tapioca feita na hora. Quem não pediu, peça." O particípio de "fazer" é "feito" ("feita", no caso). O verbo "pedir" é irregular. No presente do indicativo suas formas são: peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem. No presente do subjuntivo são: peça, peças, peça, peçamos,peçais, peçam. No imperativo (tempo do texto em questão): pede, peça, peçamos, pedi, peçam.